sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O Gatinho do Busão - Segunda - Feira


Na segunda, saio pontualmente no mesmo horário e meu coração começa a pulsar um pouco mais forte a cada passo que dou em direção ao ponto de ônibus. Quando subo no ônibus imediatamente sinto o cheiro dele. Cheiro de homem apesar dele ainda parecer um menino. Hoje o ônibus está um pouco mais cheio que o habitual e, como sempre ando com uma mochila, uma bolsa térmica com  minha água e almoço - a do prédio é horrível - e ainda, um livro - dessa vez grande e pesado - fica cada vez mais difícil me manter estável nesse ônibus que ziguezagueia de uma faixa pra outra afim de se livrar do trânsito. Como sou estabanada, é claro que eu iria acabar caindo, e iria mesmo se duas mão fortes não tivessem segurado um dos meus braços e me firmasse no lugar. Eu olhei pras mãos dele em volta do meu braço, ele afrouxou o aperto e o soltou. Eu levantei o olhar e o vi sorrindo. Um sorriso lindo cheio de dentes reluzentes de ponta a ponta. Ele ainda sorrindo disse "Talvez fosse melhor se segurar aqui" falou apontando pra um lugar entre ele e uma barra de ferro onde eu poderia facilmente segurar. Eu sorri de volta e agradecendo, fui ao local que ele indicou. "O bus tá cheio hoje né?" - comentou ele - "Sim. Parece que eles estão em estado de greve e reduziram a frota" Ele ficou me olhando e de repente eu não queria jogar nosso jogo hoje. Ficamos os 30 minutos restante do trajeto falando sobre direitos dos trabalhadores e o quanto estava difícil a situação no país. Quando estávamos descendo, ele perguntou meu nome por fim "Eu salvei você de cair de bunda no bus mas não sei seu nome." Eu sorri com humor, apesar de sem graça e respondi "Meu nome é Carolina, mas todos me chamam de Carol." Prazer Carol, eu sou o Saulo." Ele não me estendeu a mão, não me deu dois beijinhos em cada lado do meu rosto, apenas sorriu e atravessou a avenida.


(Continua)

2

Nenhum comentário:

Postar um comentário